Antônio

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domingo, 25 de setembro de 2016

AS MUDANÇAS DA MAMÃE


Imagem do google
Olá amigos e leitores, 

Hoje venho tratar de um tema, que acredito ser uma realidade na casa de  alguns: a crise econômica que nosso País atravessa. 

Em novembro de 2015 eu perdi meu emprego, entrei na crescente estatística que todos conhecem. No início, realmente acreditei que seria um momento, que logo me recolocaria, estava redondamente enganada, quase um ano depois, continuo engrossando essa estatística. 

Eu tinha um trabalho que exigia muito de mim, não parava em casa, tinha pouco tempo para os meninos e não participava de quase nada na escola. Isso sempre me deixou triste, porém, o sacrifício era necessário para o bem-estar deles, para nunca faltar nada. 

Bom, aconteceu, eu estava desempregada, sem perspectiva de receber minhas verbas rescisórias, as contas não pararam de chegar, não tive tempo de curtir aquele momento de "férias" que a maioria das pessoas passam, depois de serem desligados de uma empresa. Minha cabeça operava em alta, tomei decisões para conter os custos domésticos, me tornei uma dona-de-casa. Quem me conhece sabe que isso nunca foi uma coisa que desejei.

Durante todo esse processo de intensas mudanças em minha rotina doméstica, eu estava tão preocupada em pensar no que eu tinha me tornado, tão egoísta, que não percebi o óbvio: meus filhos estavam adorando o fato de eu estar em casa e eu não havia parado um minuto para explicar para eles o que tinha acontecido, por que me vestia diferente, por que não saia mais para trabalhar. Eles simplesmente enxergaram a melhor parte de tudo.

Nesse tempo que estou mais presente com eles, houve um aumento na nossa cumplicidade, os avanços de Antônio no que tange a alfabetização foram absurdamente grandes, vou fazer um post específico sobre isso. Bento confia mais em mim, não tem mais tanto medo de se abrir e conversar. Está sendo uma experiência positiva em muitos aspectos. 

Minha mãe sempre me dizia que eu precisava me dedicar mais a minha casa, achava uma bobagem, um retrocesso, olha, ela tinha razão. Se eu colocar na ponta do lápis, toda a economia doméstica que consegui nesses meses vocês ficariam bobos com as cifras. Os meninos se alimentam melhor, tem uma rotina bem determinada, acompanho de perto os deveres escolares, os problemas pontuais de convivência na escola são tratados imediatamente e chegamos juntos a uma solução.

Eles participam ativamente da rotina, dentro da limitação de cada um. Bento lava louça, cuida de Antônio e gosta de ajudar a fazer a comida, leva jeito. Antônio guarda os brinquedos, tira poeira (quando está de bom humor). É pouco, mas, acho importante que eles participem de qualquer coisa relacionada às atividades domésticas.

Bom, onde eu quero chegar com este post? Famílias que passam por tudo isso que estamos passando, vocês não estão sozinhos. Decisões difíceis precisam ser tomadas para o bem da manutenção da vida doméstica, porém, saibam, que são passageiras, eu creio que essa nuvem é passageira. Aproveitem o tempo com seus filhos e os ajudem, participem, brinquem com eles, pintem paredes, brinquem na lama, se sujem e sejam felizes. Se for preciso parar alguma terapia de seu mielinho, não sofram, isso também será passageiro, só nunca, jamais, parem as rotinas que garantem a saúde deles, como o Cateterismo.

Se preciso, peçam ajuda, não tenham vergonha de dizer: Gente, estamos enfrentando um momento difícil, é passageiro, mas, precisamos de vocês hoje, nos ajudem.

Estamos juntos amigos, esse momento vai passar, aproveitem para reinventar, aprender coisas novas, se a grana permitir, fazer um curso bacana, quem sabe fora da sua área de atuação principal, quem sabe se dessa crise não vai renascer um novo tipo de profissional, mais completo... Quem sabe né?! Vamos adiante!



terça-feira, 13 de setembro de 2016

Eu atrapalho tudo?

Olá amigos e leitores,

Hoje vou tratar com vocês da percepção de mundo de Antônio.

Esses dias estávamos fazendo o cone enema e como é um momento muito nosso, de troca, fui surpreendida pela seguinte pergunta: "Mamãe, eu atrapalho tudo?"

Nunca estou preparada para alguns questionamentos de Antônio, acredito que deve ser difícil pra todo mundo.

Antônio, como já disse aqui tem um retardo, está desenvolvendo a fala agora e tem melhorado muito nessa parte. Quando surge uma pergunta tão bem elaborada assim, de maneira espontânea, me causou muita alegria pela formação completa da frase e preocupação por não saber que linha seguir com o papo.

Sempre fui muito honesta com meus filhos com relação a tudo, seja morte, seja a deficiência de Antônio. Primo por esse respeito com eles e não seria diferente com Antônio e sua pergunta inesperada.

Respondi com muita segurança que NÃO, ele não atrapalhava nada. Ressaltei como era maravilhoso ele ser meu filho, o quanto eu o amava, como ele cantava bem, como era um menino bom. Ele sorriu e voltou a mexer no tablete.

Foto antiga que amo
Fiquei com aquilo na cabeça. Tinha certeza que ele tinha ouvido aquilo em algum lugar e que foi direcionado a ele. Conversei com Gustavo e tentamos juntos identificar onde ele poderia ter ouvido isso. Nesse momento ouço do quarto dele Bento gritar: "Antônio, você está atrapalhando meu jogo."

Pronto, identifiquei de onde vinha a mágoa. Antônio, por não se comunicar verbalmente bem, ele acaba repetindo as palavras que conhece muitas vezes e alto, até conseguir a atenção que ele tanto quer. Ele grita algumas vezes, principalmente em restaurantes, na escola, onde já percebi que ele quer participar da conversa e não consegue, também chamando a atenção para si.

Cheguei no quarto de maneira cordial e pedi a Bento pra desligar o vídeo game que eu iria conversar com os dois. Bento não deu atenção e eu pedi gentilmente que ele desligasse ou eu quebraria o game todo no cabo de vassoura. Fui prontamente atendida.

Contei a Bento que Antônio estava magoado, achando que ele atrapalhava tudo e Bento soltou: "Atrapalha mesmo". Deixei Bento desabafar, pois, ele também tem suas demandas, utilizei alguns momentos da fala de Bento, para que Antônio percebesse que o fato de gritar, incomodava o irmão, ficar repetindo várias vezes também incomodava. Falei pra Bento que ele só repetia porque ele não respondia da primeira vez. Bento se desculpou por ter dito a grosseria, Antônio pediu desculpas por gritar.

Essa experiência me fez refletir sobre como a nossa mensagem é recebida pela criança, como devemos ter cuidado com o que dizemos, pois, o que é banal pra gente pode ser que magoe muito o outro. Eu senti muita dor na fala dele e me senti culpada também pela percepção dele. Sejamos mais atentos ao que dizemos, como dizemos. Estejamos sempre prontos para contornar situações como essas, que apesar de pontuais, precisam ser tratadas imediatamente, sob pena daquilo ser somatizado de tal maneira que possa impactar na autoestima da criança, na sua independência e no diálogo que sempre precisa estar aberto.