Antônio

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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Pés tortos, quando operar?

Olá queridos amigos e leitores.

Muitas vezes sou questionada sobre quando iremos fazer a correção dos pés tortos de Antônio. A resposta dessa pergunta sempre me remete a todo o caminho que trilhei até aqui e o quanto eu amadureci sobre a condição de Antônio.

Logo que ele nasceu eu fiquei completamente obcecada em corrigir tudo que fosse possível no corpo de Antônio, percebam que nesse momento eu tinha uma visão superficial, egoísta e limitada sobre o conjunto de coisas que precisava aprender. Os pés me incomodavam muito, mas, hoje posso dizer que o maior incomodo era o julgamento das outras pessoas. Eu queria que ele operasse para que os olhares, perguntas parassem, como se isso fosse possível. Fizemos quatro meses de gesso e o pé ficou na condição das fotos desta postagem.

Quando fomos admitidos no Hospital Sarah, acredito que essa foi uma das minhas primeiras perguntas e hoje eu agradeço muito a equipe do Sarah, primeiro por ter me aturado, minhas brigas, minhas lágrimas, tudo fruto de uma imaturidade muito grande e depois por terem me ensinado tanto.

Hoje eu entendo que existe um momento certo de se fazer a cirurgia de correção do pé, assim como todas as cirurgias que eu sei que serão necessárias na vida dela.

Nossos filhos não nasceram só com pés tortos. Eles nasceram com uma má-formação no tubo neural, logo, todo o aspecto neuromuscular está envolvido. O pé se operado antes do momento certo, que é quando o pé atingir seu crescimento total, por volta dos 12 anos, ele voltará a se entortar e novas intervenções cirúrgicas serão necessárias. Ai eu pergunto a vocês: É melhor esperar um pouco mais e operar o pé de uma vez só, ou fazer várias intervenções em uma criança já tão manipulada? Eu prefiro esperar.

A mesma máxima se aplica a cirurgia da escoliose que só realizaremos como último recurso do tratamento da coluna. Se e somente se for absolutamente necessária.

Hoje, graças a Deus, consegui atingir uma maturidade tal que a opinião dos outros não é nada frente ao bem estar de Antônio. Ainda tenho muito o que evoluir, mas, acredito que a minha caminhada aqui na terra se resume a isso mesmo, aprender, evoluir, ajudar e praticar a caridade.

O meu conselho mais sincero, principalmente para as famílias que estão iniciando o caminhar com seus filhos com mielomeningocele é que tenham paciência e busquem quantas opiniões médicas sejam necessárias. Lembrem-se que alguns médicos passam a carreira toda sem ter contato com pacientes com mielo, daí a necessidade de se buscar médicos com experiências anteriores em mielo. 

Não se desesperem e se fortaleçam. O tratamento cirúrgico deve ser a última alternativa! É melhor esperar e fazer uma única intervenção corretiva do que várias reparadoras. Pensem sobre isso.

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