Antônio

Antônio

domingo, 17 de novembro de 2013

A primeira queda da cadeira de rodas

Choroso, mas, sem maiores problemas
No corre-corre diário, muitas vezes não nos damos conta de quão mal são estruturadas as cidades modernas. Para quem anda sem problemas, não dá para perceber como as calçadas são estreitas, como o asfalto é irregular, como existe calçamento criminoso e como existem idiotas que teimam em estacionar seu veículo em cima das calçadas.

Antes de Antônio efetivamente ser usuário de cadeira de rodas também ficava alheia a essas coisas, mesmo quando meus filhos usavam carrinho de bebê, eu reclamava um pouco, mas, empurrava e seguia meu caminho.


Hoje, esses problemas urbanos chegaram de verdade. Antônio estava passeando e como ele é independente, prefere ele mesmo conduzir a cadeira, ele acabou ficando preso num dos muitos obstáculos urbanos, forçou a cadeira e a mesma tombou para frente.

Nariz mais lindo do mundo
O cinto de segurança prendeu ele na cadeira e ele teve um pequeno arranhão no nariz. Agradeço ao Sarah pelo excelente trabalho, segurou bem ele no encosto.

Situações como essa não deveriam acontecer se os responsáveis pela condução e manutenção das vias públicas realmente se preocupassem com todos os moradores, porém, a não ser que os mesmos passem pela mesma situação nada nunca vai mudar.

Passado o susto, ficou um rosto lindo arranhado. 


sábado, 16 de novembro de 2013

Antônio foi matriculado!

Demorei, mas, como prometido vim trazer notícias sobre a saga acadêmica de Antônio.

Conseguimos matricular Bento e Antônio na mesma escola. Conseguimos a vaga na escola que havíamos gostado muito. Eles serão alunos da Villa Criar.

Quando recebemos a ligação da escola informando da vaga, senti um misto de alívio, alegria e dever cumprido.

Vocês acompanharam toda a minha busca por uma escola inclusiva, que acolhesse Antônio como uma criança normal, que não olhasse ele como um fardo. Senti tudo isso na Villa Criar.

Nessa jornada de muitos meses, não sei quantas vezes tive sentimentos como ódio, repulsa, asco. Existiram momentos que senti na minha alma, toda a vontade de colocar em prática todo o Muay Thai que venho treinando. O cinismo de algumas instituições, a má vontade, a falsa alegria em receber alunos novos, se tornando literalmente em uma vassoura atrás da porta, loucos para que sumíssemos de lá com nosso garotinho "problema". Poderia sim, listar essas instituições de ensino, mas, pra evitar dor de cabeça e processo, deixo pra lá. Quem tiver interesse, falo pessoalmente.

Ser mãe e pai de uma criança especial é engolir esse maxixe quente calados, muitas vezes baixar a cabeça e sair. Desde o primeiro momento fui resistente em fazer valer o que diz as Diretrizes e Bases do MEC no que tange a inclusão. Não queria chegar as vias de fato e empurrar meu filho para uma instituição que, claro, teria que aceitar, por força da lei, mas, que Deus sabe como iria conduzir a educação de Antônio.

Nunca fui muito paciente, a dúvida, o tempo passando, estavam me consumindo e conseguir matricular ele, sem estresse, sem brigas foi um desfecho maravilhoso.

Faltam poucos dias para nossa mudança e meu coração está partido em deixar a Escola de meus filhos aqui em Ibotirama. Não tenho palavras para agradecer e elogiar o trabalho que foi desenvolvido com meus filhos. O amor, o carinho são imensos. Estou com lágrimas no olhos escrevendo isso. Sentirei falta demais do Nova Dimensão, em momento algum Antônio foi tratado como cliente, sempre senti amor de família no trato e cuidado e disso amigos, eu jamais vou esquecer. Meu muito obrigada de coração a toda a equipe do Nova Dimensão. Obrigada por cada rampa construida, obrigada pela cadeira confeccionada para ele, obrigada por sempre
tratarem ele como uma criança normal, um menininho adorável que vai além da cadeira e de suas limitações. Deus os abençoe sempre.