Antônio

Antônio

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Dica de leitura

Essa é uma dica de leitura fabulosa, que quero dedicar AO ANÔNIMO ESCROTO que veio a este blog com o intuito de me magoar e destilou o seu veneno ao questionar os meus sentimentos com relação ao meu filho. Não deixem de ler. Sendo pais ou não de filhos especiais, leiam.

http://lagartavirapupa.com.br/7-coisas-que-voce-nao-sabe-sobre-pais-especiais/

Um abraço grande em todos vocês.

Yanna

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Fim dos comentários Anônimos e o e-mail do Mauro

No post sobre a cadeirinha de rodas de Antônio, recebi comentários de um Anônimo, que criticou duramente o fato de eu sofrer muito com a nova condição de meu filho, me chamando inclusive de preconceituosa e dizendo que Deus errou feio ao me escolher como mãe de Antônio. Respeito a opinião de todos, mas, resolvi que a partir de agora, a pessoa vai ter que se identificar caso ela queira realmente expor suas ideias. Esse é um blog que faço para que meu filho, no futuro, leia e continue a escrever.

Por causa do comentário dessa pessoa covarde, recebi um e-mail do Mauro, que me autorizou reproduzir na íntegra aqui pra vcs. O e-mail é longo, mas, a leitura é muito válida. É a visão de um adulto cadeirante. Ele deixa claro que é a história de vida dele. Como eu falei para o próprio, espero que meu filho não passe nem pela metade do que ele passou. Mauro, obrigada por sua participação. Torço muito para que vc seja verdadeiramente feliz!



Olá Yanna, me chamo Mauro, sou portador de mielomeningocele, tenho 36 anos, funcionário público, cadeirante desde que me entendo por gente.
Vi o post sobre a cadeira de rodas do Antônio quando coloquei no google uma pesquisa para trocar a minha própria, nunca havia estado em seu blog, vi o comentário postado pelo Anônimo e resolvi ler todo o blog antes de te escrever. Depois de toda a leitura, resolvi escrever para você e te mostrar como é a real vida de um cadeirante.
Eu vi a minha mãe em você. Como vocês são parecidas!
O anônimo relata que o filho não anda, não fala, mas que é feliz, ele também é a felicidade em pessoa. Quero deixar claro que essa é a minha história de vida, não quero desmerecer quem teve trajetória diferente da minha.
Quando minha mãe deu a luz a mim, veio a surpresa da mielo, na época tudo era muito precário. Meu pai não recebeu bem a notícia, o casamento deles acabou e minha mãe passou a me criar praticamente sozinha. Ela lutou com todas as forças para que eu tivesse o melhor em matéria de tratamento. Com o tempo veio a certeza de que eu não andaria. Tornei-me oficialmente cadeirante aos 8 anos, que foi quando conseguimos comprar minha primeira cadeira. Minha mãe me levava para todo lado no colo. Aos 5 ou 6 anos, já percebia o olhar diferente de todos para mim.
Foi nessa época que senti que era diferente.
Quando a cadeira chegou, minha mãe me olhou, não disse nada, perguntou se eu estava confortável, pediu que eu rodasse com a cadeira e foi ao banheiro. Lembro-me dela ter demorado tempo demais por lá. Quando ela saiu, ela evitou me olhar, mas, pude perceber que ela estava chorando. Senti-me péssimo. Não comentei nada.
A realidade de ser cadeirante chegou pra mim com uma força brutal. Sentado na cadeira, tive uma nova perspectiva de vida, senti a dificuldade de perto, não só de locomoção, mas, de relação interpessoal. As pessoas ou me evitavam, ou me tratavam de maneira exacerbadamente gentil. Não existia um tratamento natural.
Veio o colégio e com ele muitas mudanças. Ser um adolescente cadeirante é algo difícil demais. Os jovens são cruéis demais com o diferente. Aos 17 anos, perdi minha mãe de forma repentina. Nunca senti tanta dor quanto naquele dia. Tentei o suicídio depois de ouvir minha família sem saber o que fazer comigo. Quem tomaria conta do aleijado?
Entregaram-me a meu pai. Prefiro pular essa parte. A única coisa que quero que você saiba, é que meu pai morava no subsolo de um prédio, sem elevador e me disse que se eu quisesse estudar, que desse um jeito de subir e descer as escadas. Eu dava meu jeito. Sempre chegava muito sujo na escola por conta disso, o que afastava ainda mais as pessoas.
Formei-me, consegui passar num concurso público, sai da casa do meu pai, tenho um carro, o que facilita muito a minha vida, mas, nunca consegui uma namorada.
Você me pergunta se sou feliz? Tenho meus momentos. Você me pergunta o que eu acho de ser cadeirante? Acho uma droga.
O que quero dizer a esse anônimo é: cara, você não sabe nada da vida, você não tem ideia do que é viver preso a uma cadeira. Você não imagina como é horrível ver seus primos irem pra balada, pra praia, sair com garotas e você ficar num canto. É isso mesmo, cadeirante sempre fica nos cantos.
Antes de pensar em falar palavras tão duras para uma mãe incrível como essa, coloque-se no lugar. Essa sua felicidade tão falada é uma farsa. Você é uma farsa. Você sequer sabe o que é preconceito cara. Se você viu algum preconceito nas palavras dessa mãe, na verdade você está vendo uma imagem refletida que é a sua mesma. O preconceito está ai dentro,  tão podre quanto o seu julgamento.
Sem mais.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Antônio e sua primeira cadeira de rodas

 
Bom pessoal, esse post de longe é o mais difícil de escrever até hoje neste blog. Mesmo os das cirurgias dele não foram tão difíceis de discorrer quanto este.

A cadeira chegou.

Não imaginei que seria tão impactante vê-la em minha sala, toda embalada. Não imaginei que fosse sentir uma dormência tão grande em minhas pernas. Não imaginei que fosse chorar tanto. Chorei ao desembalar, chorei ao posicionar, desabei quando coloquei meu filho nela.

Aline, a fisioterapeuta que acompanha Antônio estava concluindo a sessão dele e me ajudou no posicionamento, chorei de soluçar, chorei o dia todo.

Não sei bem como explicar esse sentimento, é muito definitivo. Eu sentei e olhei meu filho na cadeirinha dele e minha cabeça viajou pelo tempo: enxerguei toda a dificuldade que ele vai enfrentar a partir de então, os obstáculos físicos, os olhares... tudo. Nenhuma mãe deseja isso para o filho.

Fica um sentimento de que eu tenha falhado, de que a culpa é minha. Não sei explicar, só sei que dói, e muito.

Antônio, no entanto, ficou muito empolgado com seu novo veículo, logo aprendeu a se movimentar com ele e, para a minha grata surpresa, sorriu o tempo todo. Bento encarou a cadeirinha como um brinquedo, chorou muito por não ter ganhado uma igual e toda oportunidade, sobe na cadeira e sai andando.

Minha mãe foi muito positiva, ela é maravilhosa e agradeço a Deus por estar perto dela nesse momento, estou muito fragilizada. Meu pai ainda não viu Antônio na cadeira, amanhã ele estará aqui em casa e não sei qual será a reação dele. Meus irmãos, mesmo de longe me mandaram mensagens positivas de muito apoio.

Minha família sabe como sou protetora com meus filhos, por isso a preocupação. É muito bom contar com todos eles.


 Gustavo esteve ao meu lado o tempo todo. Não sei o que seria de mim sem meu marido.

Gente, eu sei que a cadeira vai dar dignidade ao meu filho, eu entendo todos os benefícios, mas, humana que sou (e vaidosa, etc...), ainda tenho que digerir devagar a danada.

Muito obrigada a todos vcs, tão queridos, tão amigos. Deus vos abençoe sempre.