Antônio

Antônio

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dois anos de Blog

Radical como minha mãe
Em julho completamos dois anos deste blog e relendo, como sempre faço as vezes, percebo um grande amadurecimento meu, tanto da forma de escrever, quanto amadurecimento mesmo enquanto ser social que sou.

Me lembro claramente dos 22 dias de internamento de Antônio, recordo com clareza, o turbilhão de emoções que sentia sentada na ante sala da UTI, esperando que terminassem algum procedimento, ou que iniciasse o período de visita mesmo. Tantas histórias, tantos amigos que fiz, tantas lágrimas que derramei, me sentindo completamente incapaz.

Um fato em especia guardo com muito carinho: na terceira cirurgia de Antônio, estava sozinha no hospital, meu marido precisou trabalhar e estava devastada. Minhas companheiras de UTI, cada uma com seu filho lá internado, com seus problemas, deixaram os mesmos e ficaram comigo, esperando que a cirurgia acabasse, para que eu não ficasse sozinha. Amigos, eu lembro disso com tanto carinho, com um amor tão profundo, que jamais conseguiria expressar aqui, como aquele gesto foi importante naquele momento.

Casca grossa
Foram dias de muita dor, só quem passa pode saber como é essa dor, essa impotência. Em contrapartida, me lembro com um alívio enorme o dia da alta dele. A ansiedade de sair do hospital, de ter ele em casa e aquela forte sensação do "e agora? O que é que vai ser?" Pensava em tudo, desde o banho, pois, eram muitos cortes, muitos pontos, até o mais grave que seria ele ter uma convulsão. Como é que eu, Yanna, uma doidivanas, iria dar conta de cuidar, criar e educar uma criança especial.

Gente, o tempo é a cura para todos esses males. Hoje sei que eu nasci para receber essa criança. Ele sempre foi destinado pra mim.

Percebo também que nesses dois anos, as minhas prioridades e expectativas com relação ao meu filho também foram amadurecidas. Após a saga louca de querer com todas as minhas vísceras que Antônio andasse, não importa como, hoje isso ficou em outro plano. Hoje, aprendi a respeitar o tempo dele, aprendi que a paciência é acima de tudo sabedoria. Aprendi que todos os dias eu presencio um milagre novo, todo dia Deus me presenteia com a plenitude do desenvolvimento de um ser. São palavras, gestos, cópias, canções, tudo oferecido de coração para mim.

Nem todo mundo sabe, mas, eu luto Muay Thai, tenho um saco gigante no meu pequeno quintal e treino sempre que posso nele. Hoje na cadeirinha, Antônio vai até o saco e começa a dar soquinhos. Tenta repetir a nomenclatura dos golpes que pronuncio durante o treino em voz alta. Isso é marco de desenvolvimento cognitivo, isso é um milagre atrás do outro.

Hoje sei que muita gente entra aqui a procura de uma solução para o diagnóstico que muitas vezes acabaram de ter. Para vocês meus amigos, digo que a sabedoria vem com o tempo e a aceitação é pessoal. O lance é viver um dia após o outro, sem atropelo.

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