Antônio

Antônio

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

9 meses

Eis que Antônio fez 9 meses. Ele está lindo (como sempre), super carinhoso, adora beijos e como aprendeu a retribuir, virou um beijoqueiro de primeira.

Como nessa fase o desenvolvimento é acelerado, me pego babando com as novidades: ele aprendeu a bater palmas. Gente, é muito lindo. Fica assistindo o DVD do Patati Patatá e se acaba batendo palminhas. Ele e Bento ficaram fãs dos palhacinhos e não querem outra vida.

Olho pra meu filho, tão lindo, tão perfeito do jeito dele e as vezes choro. Como toda mãe, me preocupo com o futuro dele. Fico imaginando: será que ele vai arrastar? Será que ele vai conseguir ficar sentadinho? SERÁ QUE VAI ANDAR? Vivo esperando um milagre.

As vezes fico conversando com meus filhos, digo que eles sejam homens dignos, honestos, com personalidade e acima de tudo fortes. Falo com Antônio que ele nunca permita que ninguém o chame de aleijado, que o deprecie por ele ser diferente. Sei que eles não entendem o que digo, mas a mensagem vai ficando gravada na mente.

Tenho medo de morrer e deixar os dois pequenos, desamparados. Sabe quando você fica paranóica com saúde, com velocidade, com riscos? Estou assim. Antes de qualquer coisa, penso neles.

Esses 9 meses, me transformaram. Sou uma nova pessoa. Como a maioria das pessoas, eu era carregada de preconceitos, de excesso de tato pra lidar com deficientes. Hoje tenho outra visão de mundo, de vida, de ser mãe.

Antônio já sente necessidade de se locomover. Já se aborrece mais fácil quando fica muito tempo no Bumbo. Não gosta de ficar sozinho. Venho me preparando para a chegada da cadeirinha dele. Mesmo assim, não sei como iriei reagir. Só de escrever isso aqui já estou com meus olhos cheios de lágrimas.

Me sinto péssima por ainda ter isso comigo, essa resistência, mas, isso é amor de mãe amigos. É o querer não ver o filho passar por algumas situações. É amor, simplesmente amor demais.




domingo, 16 de outubro de 2011

Plasticidade Neural

Uma grande quantidade de pessoas acredita que os danos cerebrais são irreversíveis, ou seja, uma vez ocorrido um problema neurológico, não há nada a ser feito para reparar os déficits. O desenvolvimento de recursos tecnológicos no campo científico nas últimas quatro décadas, culminando com a denominação dos anos 90 como a “Década do Cérebro”, foi fundamental para o refinamento das pesquisas nos processos de plasticidade e reabilitação neuropsicológica. 
Reuni as principais perguntas sobre o tema e pesquisei nos sites referenciados abaixo, para demonstrar como o ESTÍMULO é importante, não só para uma criança portadora de mielomenisngocele, mas, para qualquer criança que apresente algum tipo de dificuldade, seja ela física ou mental.
No primeiro ano de vida é onde ocorre o pico de desenvolvimento e onde a Plasticidade Neural é mais eficiente, por assim dizer. Na verdade, esse processo ocorre durante toda a vida de uma pessoa, mas nos primeiros 12 meses, ocorre uma aceleração.

O que é plasticidade neural?
A plasticidade neural é a capacidade do cérebro em desenvolver novas conexões sinápticas entre os neurônios a partir da experiência e do comportamento do indivíduo. A partir de determinados estímulos, mudanças na organização e na localização dos processos de informação podem ocorrer. Através da plasticidade, novos comportamentos são aprendidos e o desenvolvimento humano torna-se um ato contínuo. Esse fenômeno parte do princípio de que o cérebro não é imutável, uma vez que a plasticidade neural permite que uma determinada função do Sistema Nervoso Central (SNC) possa ser desenvolvida em outro local do cérebro como resultado da aprendizagem e do treinamento.

Como é formado o Sistema Nervoso Central (SNC) ?
O SNC é formado por cérebro e medula espinhal. O SNC de um ser humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios, ou células nervosas. Os neurônios não se reproduzem como algumas outras células do organismo, mas é possível que os neurônios estabeleçam novas ligações. As ligações entre os neurônios são chamadas de sinapses. Os comportamentos, as emoções e o funcionamento de um indivíduo como um todo são resultados de sinapses.

Como ocorre a plasticidade neural?
A cada novo comportamento aprendido desde o nascimento até a fase adulta, várias conexões neurais ocorrem e se fixam no SNC, contribuindo para seu desenvolvimento normal e evolutivo. A plasticidade neural é natural e essencial para o aprendizado, para o desenvolvimento das funções neuropsicológicas e motoras do indivíduo. Assim, é possível continuar a estimular o indivíduo, seja por meio de psicoterapia, de exercícios específicos e de treinamentos, de maneira que quanto maior a quantidade de estímulos, melhor será o nível de funcionamento.

Como atua a plasticidade neural no caso de doenças do SNC? Ela pode beneficiar o indivíduo?
Acidente vascular cerebral, Alzheimer, Parkinson e lesões na medula espinhal são apenas alguns dos quadros patológicos do SNC. Embora existam limitações, as células saudáveis vizinhas à lesão podem assumir parte da função dos neurônios danificados. Dessa forma, o indivíduo que sofreu algum tipo de lesão cerebral tem a possibilidade de ter um aumento de sua qualidade de vida devido essa auto-reparação do SNC. No entanto, a recuperação de uma função através da plasticidade depende de fatores como: idade, local da lesão e a função correspondente, e a qualidade do primeiro atendimento prestado ao paciente após a ocorrência da lesão.

Como reabilitar um paciente através da plasticidade neural?
Nos casos em que há danos no SNC, um programa de reabilitação pode ser conduzido para melhorar ou amenizar o quadro patológico. Diversos profissionais podem trabalhar para a reabilitação do paciente através da plasticidade neural: psicólogo, fisioterapeuta, médico, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo. Na maior parte dos casos, é necessária a intervenção de uma equipe multiprofissional. Após a avaliação detalhada, um plano de tratamento deverá ser elaborado, com o treinamento de estratégias que estimulem os neurônios saudáveis a suprir as funções correspondentes ao local da lesão. Cada caso é individual e a evolução do paciente depende de diversos fatores já citados. No entanto, existe uma série de recursos cada vez mais aprimorados para possibilitar ao paciente maior autonomia e qualidade de vida.

Referências bibliográficas

Andrade VM, Santos FH, Bueno OFA. Neuropsicologia hoje. São Paulo: Artes Médicas, 2004.
Barbizet J, Duizabo PH. Manual de neuropsicologia. Porto Alegre, Artes Médicas; São Paulo, Masson, 1985.
Ferrari EAM, Tovoda MSS, Faleiros L. Plasticidade neural: relações com o comportamento e abordagens experimentais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 17 (2), Brasília, 2001.

sábado, 15 de outubro de 2011

Resultados de exames

Publiquei a um tempinho minhas preocupações com relação ao perímetro cefálico de Antônio. Pra relembrar leiam aqui .
Fizemos outra Ultra transfontanela e, pela primeira vez, um Doppler Transcraniano. Esse último, não consegui nenhum lugar que fizesse pelo Cassi, se alguém souber, pelo amor de Deus me indica, pois, o exame é caríssimo e ele vai precisar fazer vários durante sua vida.
Na ultra, o médico já implantou o terror em mim, me deixou nervosa dizendo que estava alterado, que isso e que aquilo, sai do exame só o pó, preocupadissima, com o coração em frangalhos, com a certeza que ele teria que ser operado de novo.
A tarde fomos fazer o Doppler. Eu já estava no limbo, a cabeça doia demais, pensamentos embaralhados, o médico foi fazendo e não dizia nada. Eu lógico, só inquerindo, ele só dizia, "tá tudo bem". Antônio não parava quieto.
No final do exame, perguntei se estava tudo bem, ele respondeu: "Está, mas, só esse exame não e suficiente pra fechar diagnóstico. Como as fontanelas ainda estão abertas, pode ser que por isso não tenha nenhuma pressão intracraniana". Otário, saí de lá, pior do que entrei.
Só consegui falar com o Neurocirurgião, depois do feriado. Já estava daquele jeito. Eu li o relatório dos dois exames e ele disse: "Calma Yanna, não tem nada com o que se preocupar. Tá tudo normal".
Fiquei aliviada demais. Foi a melhor notícia do ano! Fiquei com vontade de chutar o médico que fez a USG. Mas, deixa pra lá, já passou.
Antônio está ótimo, moleirinha molinha, super ativo, aprendendo tudo que apresentamos. Faz as sessões de fisio com prazer. Me recusava a acreditar que ele estava com a válvula entupida. Graças a Deus ele realmente está bem.

Pé na boca

Gente, conseguimos registrar um fato que achei que não conseguiria com Antônio, por causa da hipotônia dos membros inferiores. Ele já coloca o pé na boca!
Claro que não é simples como o que acontece com uma criança sem mielo, a dificuldade para ele é enorme, mas, ele se vira. Quando consegue temos que ajudar segurando, pois, a perninha tende a cair, pelo peso.
Mas, esse é um ganho neurológico importante! Como estudo tudo relacionado ao problema de Antônio, acabo que fico espertinha em desenvolvimento neurológico. Colocar o pé na boca não é só lindo, mas, um marco importante do desenvolvimento de nossos filhotes.
Vocês devem pensar em como sou boba por postar isso, mas, gente, cada superação é uma vitória enorme pra mim.