Antônio

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domingo, 16 de outubro de 2011

Plasticidade Neural

Uma grande quantidade de pessoas acredita que os danos cerebrais são irreversíveis, ou seja, uma vez ocorrido um problema neurológico, não há nada a ser feito para reparar os déficits. O desenvolvimento de recursos tecnológicos no campo científico nas últimas quatro décadas, culminando com a denominação dos anos 90 como a “Década do Cérebro”, foi fundamental para o refinamento das pesquisas nos processos de plasticidade e reabilitação neuropsicológica. 
Reuni as principais perguntas sobre o tema e pesquisei nos sites referenciados abaixo, para demonstrar como o ESTÍMULO é importante, não só para uma criança portadora de mielomenisngocele, mas, para qualquer criança que apresente algum tipo de dificuldade, seja ela física ou mental.
No primeiro ano de vida é onde ocorre o pico de desenvolvimento e onde a Plasticidade Neural é mais eficiente, por assim dizer. Na verdade, esse processo ocorre durante toda a vida de uma pessoa, mas nos primeiros 12 meses, ocorre uma aceleração.

O que é plasticidade neural?
A plasticidade neural é a capacidade do cérebro em desenvolver novas conexões sinápticas entre os neurônios a partir da experiência e do comportamento do indivíduo. A partir de determinados estímulos, mudanças na organização e na localização dos processos de informação podem ocorrer. Através da plasticidade, novos comportamentos são aprendidos e o desenvolvimento humano torna-se um ato contínuo. Esse fenômeno parte do princípio de que o cérebro não é imutável, uma vez que a plasticidade neural permite que uma determinada função do Sistema Nervoso Central (SNC) possa ser desenvolvida em outro local do cérebro como resultado da aprendizagem e do treinamento.

Como é formado o Sistema Nervoso Central (SNC) ?
O SNC é formado por cérebro e medula espinhal. O SNC de um ser humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios, ou células nervosas. Os neurônios não se reproduzem como algumas outras células do organismo, mas é possível que os neurônios estabeleçam novas ligações. As ligações entre os neurônios são chamadas de sinapses. Os comportamentos, as emoções e o funcionamento de um indivíduo como um todo são resultados de sinapses.

Como ocorre a plasticidade neural?
A cada novo comportamento aprendido desde o nascimento até a fase adulta, várias conexões neurais ocorrem e se fixam no SNC, contribuindo para seu desenvolvimento normal e evolutivo. A plasticidade neural é natural e essencial para o aprendizado, para o desenvolvimento das funções neuropsicológicas e motoras do indivíduo. Assim, é possível continuar a estimular o indivíduo, seja por meio de psicoterapia, de exercícios específicos e de treinamentos, de maneira que quanto maior a quantidade de estímulos, melhor será o nível de funcionamento.

Como atua a plasticidade neural no caso de doenças do SNC? Ela pode beneficiar o indivíduo?
Acidente vascular cerebral, Alzheimer, Parkinson e lesões na medula espinhal são apenas alguns dos quadros patológicos do SNC. Embora existam limitações, as células saudáveis vizinhas à lesão podem assumir parte da função dos neurônios danificados. Dessa forma, o indivíduo que sofreu algum tipo de lesão cerebral tem a possibilidade de ter um aumento de sua qualidade de vida devido essa auto-reparação do SNC. No entanto, a recuperação de uma função através da plasticidade depende de fatores como: idade, local da lesão e a função correspondente, e a qualidade do primeiro atendimento prestado ao paciente após a ocorrência da lesão.

Como reabilitar um paciente através da plasticidade neural?
Nos casos em que há danos no SNC, um programa de reabilitação pode ser conduzido para melhorar ou amenizar o quadro patológico. Diversos profissionais podem trabalhar para a reabilitação do paciente através da plasticidade neural: psicólogo, fisioterapeuta, médico, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo. Na maior parte dos casos, é necessária a intervenção de uma equipe multiprofissional. Após a avaliação detalhada, um plano de tratamento deverá ser elaborado, com o treinamento de estratégias que estimulem os neurônios saudáveis a suprir as funções correspondentes ao local da lesão. Cada caso é individual e a evolução do paciente depende de diversos fatores já citados. No entanto, existe uma série de recursos cada vez mais aprimorados para possibilitar ao paciente maior autonomia e qualidade de vida.

Referências bibliográficas

Andrade VM, Santos FH, Bueno OFA. Neuropsicologia hoje. São Paulo: Artes Médicas, 2004.
Barbizet J, Duizabo PH. Manual de neuropsicologia. Porto Alegre, Artes Médicas; São Paulo, Masson, 1985.
Ferrari EAM, Tovoda MSS, Faleiros L. Plasticidade neural: relações com o comportamento e abordagens experimentais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 17 (2), Brasília, 2001.

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