Antônio

Antônio

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A chegada de uma criança com mielo em casa

O fato de saber que você carrega no ventre uma criança com mielo é impactante, porém, receber essa criança da UTI e ter a certeza que a partir daquele momento é tudo contigo é surreal.

Antônio nasceu no dia 22/01/2011, de 34 semanas, com 2260kg, no Hospital Santo Amaro em Salvador, Bahia. Nasceu bem, chorou muito, teve o apgar 8/9 e a mielo, infelizmente, estava rôta. Recebeu os primeiros cuidados na sala de parto, foi apresentado a mim e seguiu direto pra UTI.

A escolha  desse Hospital para trazer Antônio ao mundo foi uma benção, a equipe da UTI NEO é maravilhosa e muito competente. Por 22 dias, a equipe cuidou do meu filho com todo o carinho e dedicação possíveis. Recomendo.

Ter um filho internado numa UTI é muito complicado. O ambiente é pesado, são vários bebês, com diversos tipos de problemas e você, por mais que queira, não pode tomar partido dos bebês a sua volta, nem mesmo o que fica ao lado de seu filho.

Nesses 22 dias, muitas amizades foram formadas. Uma mãe apoiando a outra, é algo muito bom. Cada mãe entende, comemora, sofre junto com todas as mães que estão naquela situação.

Antônio fez a primeira cirúrgia no dia seguinte ao seu nascimento, foi a da mielo mesmo. O Neurocirurgião que o acompanha chama-se Dr. José Roberto Tude. Poderia ficar horas escrevendo sobre o Dr. Tude e nem assim, conseguiria demonstrar a metade da gratidão e admiração que tenho por esse grande profissional. O procedimento durou mais ou menos 3 horas e ao sair da sala de cirúrgia Dr. Tude veio me dar notícias e me passou o quadro geral, nesse momento minha ficha caiu.

Ele descreveu o quadro geral do neném, a mielo era maior do que aparecia nas ultras e na ressonância, a placa neural estava bastante exposta, apresentava intestino visivelmente neurogênico e provavelmente a bexiga também seria neurogênica. Os pés eram muito tortos, mas muito mesmo. As perninhas completamente hipotônicas, uma cifose importante na altura da lesão. Nesse momento eu chorei muito. Dr. Tude foi embora e fiquei completamente desamparada.

Fui visitar meu filhinho na UTI. Ele estava entubado, de barriga para baixo. Nesta ciurgia ele demorou 72 horas para acordar e ser extubado. É horrível você observar seu filho cheio de tubos, fios... é muito duro.

Os dias se passavam e a ansiedade, a vontade de tirar o neném e levar pra casa aumentava. Eu ia 3 vezes ao dia para o Santo Amaro visitá-lo e ordenhar o leite materno pra ele se alimentar.

No dia 03/02 ele foi submetido a uma cirurgia de correção testicular. Mais sofrimento, mais angústia.

No dia 09/02 novamente ele é operado para colocação da DVP, para controle da hidrocefalia, pelo Dr. Tude.

No dia 13/02, ele finalmente recebe alta. Começa então a jornada da mãe de um filho com mielo.

Tudo era muito novo. Ele tinha vários pontos, muitas cicatrizes, nem sabia como pegar tamanho o medo que eu tinha de machucá-lo de alguma forma. Apesar do pânico, ali estava meu filho, um filho que amei desde que soube que estava dentro de mim, que aprendi a aceitar não importa como ele viesse, que eu queria mais que tudo.

As coisas foram se adaptando a nova realidade. Começaria então a nossa peregrinação aos médicos que acompanham Antônio. Sobre a equipe multidisciplinar, falarei num próximo post.

Essa foto descreve bem o meu amor por meu querido filho.

Até a próxima!

2 comentários:

  1. olá,eu tenho uma filha com mielo,hoje ela está com 8 anos.E graças a DEUS ela é uma criança normal... tenha fé em DEUS mãe que tudo vai dar certo. DEUS VAI FAZER UM MILAGRE NO TEU FILHO também.....

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